Um vôo para poucos milionários do mundo

O Crystal Skye começou a voar este mês e promete ser o mais luxuoso avião privativo do mundo. Mas não basta apenas ter dinheiro para usufruir dessa experiência

Viajar em cabines de primeira classe, com todos os mimos oferecidos pelas companhias aéreas, deixará de ser o que existe de mais requintado no mundo do turismo de luxo.

A companhia californiana de cruzeiros Crystal Cruises colocará à disposição de seus clientes mais seletos a experiência de voar no Crystal Skye, um Boeing 777-200LR completamente customizado. Com apenas 88 assentos, oferecido apenas a milionários convidados pela empresa, que serão anfitriões dos demais convidados.

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Então, mesmo que você tenha US$ 55 mil (cerca de R$ 180 mil) por uma única passagem, terá de esperar o convite chegar ou entrar na lista de algum milionário que esteja na carteira da empresa.

“Queremos criar um novo patamar de sofisticação, exclusividade e experiência em turismo, oferecendo algo que ainda não existia na concorrida indústria do luxo”, disse Helen Panagos, vice-presidente da companhia, durante apresentação do novo produto no Virtuoso Travel Week, em Las Vegas. O preço, aparentemente, não será um problema para fazer o Crystal Skye decolar.

Panagos afirma que já existem três reservas de grupos de 88 pessoas confirmadas para este mês e “algumas dezenas” de contratos prontos, mas ainda não assinados. Um deles quer levar os convidados para um casamento da filha na Europa, outro pretende colocar a família dentro do avião e aterrissar em um local surpresa. A identidade dos clientes, por razões de confidencialidade, é mantida em sigilo.

A executiva, no entanto, afirma que sheiks árabes, magnatas russos e multimilionários americanos lideram a lista dos mais interessados pelo serviço. “Não é o valor o fator determinante para a decisão de nossos clientes, mas a experiência única que o Crystal Skye pretende proporcionar”, afirma a executiva.

A decoração interna foi desenhada para garantir espaço e conforto a cada um dos passageiros. Há sofás no salão que acomodam grupos de até seis. Há seis banheiros, dois deles amplos o suficiente para servir como vestiários. Com apenas dois corredores e uma grande cabine aberta, sem caixas centrais, o avião pode se converter em um espaço para festas.

Outro apelo do Crystal Skye é sua autonomia de voo. Como a aeronave só acomoda 88 passageiros, decola com pouco peso. Com isso, a aeronave pode voar até 19,5 horas sem necessidade de reabastecimento.

Atualmente, o voo comercial mais longo do mundo, de 16 horas e 23 minutos, é operado pela Qatar Airways, no trecho entre Doha e Auckland, na Nova Zelândia. “Essa gigantesca capacidade de voar amplia os horizontes da Crystal no mercado asiático, que tem os destinos mais distantes dos grandes centros dos Estados Unidos e Europa”, afirma a consultora britânica do mercado de luxo, Jean Newmann.

“Há, claramente, uma grande demanda para esse tipo de serviço exclusivo, que será mais bem explorado a partir de agora.

A Crystal Skye pode ser o avião privativo mais luxuoso até agora, mas não é o primeiro criado para essa finalidade. A rede hoteleira Four Seasons mantém no ar o Four Seasons Jet, um Boeing 757-200ER configurado para transportar apenas 52 passageiros (a capacidade original é de 233 assentos) dispostos a dar a volta ao mundo, em roteiros ajustados ao gosto do cliente, por mais de US$ 120 mil.

A ideia é oferecer excursões extravagantes em grupo, com experiências que remetem à sofisticação dos hotéis da companhia canadense pelo mundo.

Com uma proposta semelhante aos da Crystal Skye e Four Seasons Jet, mas com uma pegada mais cultural, o grupo americano TCS World Travel, integrante do grupo Virtuoso, também criou no ano passado o Latitudes, um pacote que leva em avião privativo os passageiros a destinos culturais.

No Brasil, o próximo está programado para março de 2018, chamado de Grandes Impérios da Humanidade. O roteiro inclui o México, onde serão abordadas as civilizações Maia e Asteca, o Havaí, onde será explicada a extensão da cultura polinésia, além de Japão, China, Índia, Irã, Sicília e Marrocos.

Imagens do Avião: